Rússia e China<br>apoiam Síria
A Rússia e a China vetaram uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas propondo a aplicação de sanções contra a Síria, por alegada utilização de armas químicas.
O documento foi apoiado por nove países, três votaram contra e três abstiveram-se. Votou contra, além da Rússia e da China, a Bolívia. Abstiveram-se o Egipto, a Etiópia e o Cazaquistão.
O Conselho de Segurança promoveu, a 28 de Fevereiro, a votação de uma resolução condenando o uso de armas químicas na Síria pelas forças armadas governamentais. Se o texto, proposto pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, fosse aprovado, várias pessoas, entidades e organizações poderiam ser sancionadas.
As sanções pretendiam o congelamento das finanças e recursos económicos, a proibição da entrada e o trânsito de pessoas em território dos países membros da ONU. Ademais, as restrições implicariam vetar o fornecimento directo ou indirecto, a venda ou transmissão às autoridades sírias de cloro e outras substâncias mencionadas nas listas da Convenção sobre Armas Químicas, assim como todo o tipo de armamento e helicópteros.
Um diplomata russo, Vladimir Safronkov, havia declarado anteriormente que Moscovo usaria o veto contra o projecto de resolução porque a investigação fora «unilateral» e baseada em «provas insignificantes».
De igual modo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, tinha qualificado de «inapropriadas» as sanções que a ONU – por iniciativa dos Estados Unidos e seus aliados, que não desistem de destruir a Síria – pretendia impor à república árabe. «A Rússia não apoiará novas sanções à Síria», afirmara Putin.
Conversações
Na Suíça, sob a égide das Nações Unidas, decorrem conversações de paz entre o governo de Damasco e diferentes facções da oposição síria.
Bashar al-Jaafari, embaixador permanente da República Árabe da Síria nas Nações Unidas e chefe da delegação do seu país, encontrou-se com o representante especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, a 25 de Fevereiro, no Palácio das Nações, em Genebra, e exigiu que o combate ao terrorismo seja a prioridade nas negociações em curso. A exigência foi apresentada após dois ataques suicidas, na província de Homs, terem provocado pelo menos 42 mortos.
Segundo al-Jaafari, os ataques terroristas de Homs visaram fazer «fracassar as conversações de Genebra». Acrescentou que a Síria considera «cúmplice de terrorismo» qualquer grupo da oposição que se recuse a condenar os ataques, entretanto atribuídos à Frente al Nusra, filial de Al Qaeda.